Artigo 7 – Gestão da segurança nas empresas de turismo de aventura
por Carol Chagas
12 de fevereiro de 2015
Sabe-se que as principais motivações das práticas de atividades de aventura são o risco, o desafio e a imprevisibilidade dos resultados. Mas há de se observar que essas características se justificam pelo fato dessas atividades se passarem em locais desconhecidos e inóspitos ao homem e não por imprudência de quem as pratica. Porém, o que se vê é que a maioria dos acidentes que vem ocorrendo nesse âmbito são causados pela má capacitação das pessoas envolvidas na atividade.
A profissionalização da oferta das atividades de aventura exige um trabalho de planejamento e gerenciamento de riscos que garanta a qualidade dos serviços prestados. Exige uma preocupação com a segurança e com a minimização dos riscos reais da atividade.
Portanto, o gerenciamento de risco é uma análise sistemática e objetiva de identificação e controle de eventos indesejáveis em potencial, possibilitando o desenvolvimento de procedimentos para manter esses eventos indesejáveis abaixo de valores tolerados.
ASPECTOS PARA ANÁLISE
A minimização desses riscos reais se dá a partir de alguns fatores que devem ser investigados: local, atividade, capacitação, tecnologia e perfil dos praticantes.
O ambiente onde será realizada a atividade deve ser profundamente analisado quanto aos riscos que oferece (ex: local propício a trombas d’água, possibilidade de desmoronamento, incidência de abelhas, etc). Assim, pode-se tomar algumas providências que minimizem ao máximo esses riscos.
Deve-se também conhecer profundamente a atividade que será praticada e os riscos inerentes à ela. E nesse momento entra a capacitação dos profissionais que devem apresentar domínio sobre a técnica do esporte, conhecimento de primeiros socorros e resgate, além de ter a sensibilidade e percepção quanto ao desempenho do grupo.
Outro aspecto fundamental é a qualidade dos equipamentos utilizados. Esses equipamentos devem possuir certificação profissional, passarem por manutenção periódica e estarem em boas condições de uso.
Um aspecto que muitas vezes é negligenciado é a adequação do perfil do aspirante pela aventura com a atividade que será executada. Esse perfil passa não somente pela capacidade física e técnica da pessoa, quanto também pela sua tolerância ao risco, pois se deve lembrar que a percepção da aventura é algo extremamente pessoal e subjetivo. O que para uns pode parecer um grande desafio, para outros pode soar como uma leve brincadeira. Portanto, esse estudo psicográfico do praticante é fundamental para que não haja frustrações de expectativas, muito menos acidentes na experiência.
GESTÃO DE CRISES
Mas, e se acontecer o acidente? O que fazer? Esse também é um aspecto que deve ser pensado antecipadamente para que se saiba como agir no momento do acidente. A isso é dado o nome de gestão de crises.
A gestão de crises deve prever os mínimos detalhes. Quais são os procedimentos de assistência pós-acidente, quem irá avisar aos parentes sobre o ocorrido, quem e qual o nível de informação que deverá ser divulgada na mídia, até questões burocráticas como o acionamento do seguro, caso haja. O procedimento deve ser treinado e simulado periodicamente.
O gerenciamento de riscos do turismo de aventura torna-se, portanto, uma ferramenta estratégica, inclusive a Lei Geral do Turismo exige que toda empresa que oferecer no mercado atividades de aventura, deve possuir um Sistema de Gestão da Segurança implementado.
Inúmeras são as vantagens dessa prática: apresenta a empresa com uma postura ética, dá credibilidade no mercado, estimula a cultura da segurança dentro e fora da empresa além de ser um poderoso instrumento de marketing e ser um meio de proteger a empresa contra perdas financeiras.
*Carolina Chagas é turismóloga, graduada pela FACTUR, pós-graduada em Planejamento Turístico e Interpretação do Patrimônio com Comunidades pela FAMETTIG e sócia-diretora da DAventura Esportes e Turismo Ltda.
