skip to Main Content

Artigo 8 – O novo turista de aventura

por Carol Chagas

12 de fevereiro de 2015

Novo turista. Mas que termo é esse tão falado ultimamente no meio acadêmico e no mercado turístico? O novo turista é um sujeito que segue uma tendência mundial do comportamento humano que está baseado na chamada economia da experiência. Estudiosos de megatendências turísticas mundiais têm apontado uma mudança comportamental da motivação e perfil do turista contemporâneo, e isto é perceptível a partir de uma análise genérica da história do homem.

Mesmo com um breve passar de olhos, ao observar o comportamento humano ao longo da sua história, percebe-se mudanças comportamentais marcantes que interferem no seu jeito de pensar, sentir, agir, na sua concepção de trabalho, família, lazer e mundo em geral. Eulogio Borbas, consultor turístico renomado, faz uma sucinta análise da história da humanidade dizendo que primeiramente nós vivíamos numa sociedade agrária, logo depois inventamos a sociedade industrial e posteriormente, e que perdura até os dias de hoje, veio a era da informação e da tecnologia. Mas ele está de acordo que os motores da sociedade já estão se modificando, indo em direção a chamada sociedade dos sonhos, isto é, pessoas em busca de emoções e experiências. Se antes valorizávamos a matéria-prima e depois os produtos, agora passamos a dar valor aos serviços.

Vejam como isso se encaixa no turismo! As pessoas estão em busca de vivências memoráveis e qual a melhor forma se não através de viagens, entretenimento, conhecer novos lugares, culturas… E mais animador ainda são as grandes oportunidades para a indústria turística apontadas por Borbas. Ele diz que a sociedade dos sonhos é grande consumidora de aventura, emoção, risco, esportes e buscam contato com a natureza. Oba! Chegamos na parte que nos toca: Turismo de aventura. Mas quem é esse turista que busca aventura, emoções fortes, vivências e experiências memoráveis?

Antes de tudo o novo turista de aventura é um atuante. Ele obedece à chamada economia da experiência que consiste em viver intensamente a experiência. O turista se demite do papel de expectador passivo e se engaja na cena, ele passa a contracenar, a ver, sentir e agir no cenário, isto é, ele se torna o protagonista da aventura.

O turista de aventura também é super exigente e independente. A aventura pressupõe desafio e demanda toda uma áurea de lugares desconhecidos e inóspitos. Essa perspectiva demonstra um perfil de turista mais independente o que entra em choque com a oferta de pacotes turísticos “formatadinhos”, prontos para o consumo. O turista de aventura não quer que você diga o que ele deve fazer, ele quer participar, quer traçar sua rota, contribuir para o planejamento de sua viagem, quer mirar seu azimute e seguir em frente.

Essa independência gera uma grande necessidade de informação por parte do turista de aventura e vice-versa. Informação e independência são causa e consequência uma da outra. A facilidade de acesso à informação, podemos assim dizer, gerou turistas mais independentes. O turismo de aventura gera uma busca muito grande por informação e aprimoramento técnico nos esportes, pois quanto mais capacitada a pessoa, maior o desafio, maior a aventura.

Além disso, o turista de aventura não gosta de locais massificados. Ele anda na contramão do modismo. Sabe aqueles points que lotam no verão em que a galera costuma paquerar e ‘tomar todas’ o dia todo? Ele quer distância! Ele gosta de imaginar que está num local exclusivo, pouco desbravado pelo homem. Portanto, o turista de aventura é super exigente e busca a diferenciação nesse sentido.

Uma outra característica muito forte do turista de aventura é a identidade que é criada nas relações de grupo. A busca por vivência em grupo é uma grande tendência e gera uma harmonia e identidade muito forte entre as pessoas. Viajar em família também é uma grande tendência, segundo Borba, as férias são uma das poucas oportunidades do homem ter a sensação de que realmente possui uma família, pois no corre-corre do mundo atual, geralmente não se tem tempo para usufruir a companhia dos parentes.

Essas características que compõem o novo turista já são boas pistas para quem pensa em trabalhar nesse nicho de mercado. Precisamos conhecer bem o novo turista de aventura para oferecer serviços de qualidade e que lhe traga satisfação.

Uma boa dica é a aplicação de pesquisas do perfil psicológico dos turistas. Estas são muito eficazes pois vão além de conhecer o turista quanto a sua renda mensal, quantidade de filhos, estado civil, blá blá blá… É poder identificar aspectos mais íntimos do tipo: quais os limites do turista, qual o nível de adrenalina ele suporta, qual a tolerância dele ao risco? Portanto, é preciso ir além das metodologias de pesquisas aplicadas hoje, para saber o que oferecer para o seu ‘novo turista’ que se tem mostrado cada vez mais exigente, informado e exclusivo.

*Turismóloga e Diretora da Daventura.

 

Back To Top